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As merecidas férias...
Dessa vez, depois de meses de pesquisa, resolvemos tentar a sorte na Nicarágua. Os estudos eram promissores, descobrimos que o mês de Maio é o mais constante em swells no ano, ja a direção do vento la não é um problema, que devido a um fenômeno natural da região que envolve o lago da Nicarágua, o terral é constante por quase todo os meses do ano, ou seja tínhamos o que precisávamos, agora era só se preparar e curtir essa nova jornada.
Nosso plano inicial era ficar 17 dias no Pais, fechamos um hotel na região de Playa Santana por uma semana, alugamos um carro 4x2 (que depois descobrimos não ter sido uma boa idéia, mesmo na época da seca um 4x4 é necessário) e estávamos com a mente aberta para conhecer novo lugares. Éramos quatro pessoas no total, todos na mesma vibe e disposição, o que é fundamental para o sucesso da viagem. O único empecilho que surgiu foi o outbrake da gripe suína por todo o mundo e os constantes alarmes para evitar as viagens internacionais, discutimos algumas vezes o assunto e chegamos a conclusão que se tomado os devidos cuidados os riscos diminuiriam bem, sem falar que o lugar que estávamos indo não oferecia perigo algum, pois era muito aberto e com pouca concentração de pessoas.
Inicio de Maio, a primeira impressão que tive ao chegar em Manágua, do próprio avião, era de uma pais extremamente simples e pouco desenvolvido. A impressão se confirmou ao deixar o aeroporto. A simplicidade se confunde com pobreza e falta de condições dignas de moradia, que se espalham por todas as partes, o pais é de longe mais atrasado do que El Salvador. Impressões a parte, seguimos nosso rumo a região de Rivas no sul do pais, a estrada Pan-americana é muito boa porem conforme íamos nos aproximando do nosso destino elas iam piorando e piorando. Os animais já estavam por todas as partes também, porcos, bois, cavalos, cachorros, galinhas, gatos, bode, cabra, pássaros, entre outros.
Logo ao chegarmos ao hotel, por volta das quatro da tarde, soubemos que tinha umas ondas. Naquele momento nada poderia ter soado melhor para nos. Deixamos as coisas no carro mesmo e corremos os 200 metros que nos separávamos da praia como crianças. Parem um segundo e imaginem o seu pico predileto a uns 40 ou 50 anos atrás, ruas de terra, terrenos vazios, animais pastando por todos os lados, ninguém na água. O que poderia ser melhor? Você e seus amigos, água quente, 3/4 pés de onda e terral? Confesso
que a alegria daquela primeira tarde já havia feito a viagem valer a pena. Ainda fomos recebidos por um pôr-do-sol que se comparava facilmente a praia de Kuta em Bali ou a Gold Coast na Austrália, estonteante!
À noite no hotel não conseguíamos controlar nossa alegria e ansiedade para o dia seguinte. Acordamos bem cedo e fomos ver as ondas, erramos na dose e atolamos o carro na praia antes mesmo do dia raiar, eventos como esse fizeram parte da viagem toda. Alias, quase posso dizer que a viagem teve tanto surf quanto rally, tamanha o numero de buracos que nos metemos com o carro.
Nesse mesmo dia, perguntamos no hotel sobre a onda de Popoyo e seu acesso, segundo o Jonh era só andar ate o canto da praia, e la estaria o pico. Pegamos pranchas, água e pé na areia, chegamos a grande formação de pedra que tem no canto da praia de Santana e encontramos meio metro de onda, ninguém na água, esquerda longa, fácil..achamos estranho isso, afinal Popoyo é a onda mais popular da região e geralmente quebra com mais tamanho que as outras ondas. Não quisermos nem saber, caímos ali mesmo, surfamos por quase 3 horas seguidas e quando saímos, com a maré mais baixa, vimos que o fundo era forrado de pedras pontudas. No mesmo dia viemos a descobrir que ali não era Popoyo, essa era uns 2km a diante e que ninguém surfava naquele conner devido as pedras rasas e perigosas. Nos dias seguintes devido ao crownd em Popoyo sempre consideramos surfar Little Popoyo como opção. No dia que o mar subiu e as ondas estavam fechando um pouco em Popoyo, Little Popoyo fez a nossa cabeça, ondas de 1,5 metro quebrando bem rente as pedras abriam por longos metros e a maré cheia garantia nossa segurança. Ninguém por perto.
Ao decorrer da primeira semana tentamos conhecer o máximo de lugares possíveis na região de Rivas e San Juan Del Sul, acordávamos bem cedo e íamos atrás das ondas, fomos a Colorado, Chacocente, Lances, Popoyo, Rosada, entre outras. Obrigado ao Chepa nosso amigo local que nos ajudou como guia. Uma dica legal é conhecer algumas ondas que são so acessíveis de barco, como Vera Cruz, no total são quase 40 minutos de Santana sentido norte, a onda realmente é muito boa, fundo misto de areia e pedra para esquerda, não preciso dizer, ninguém por perto, nesse dia o terral estava tão forte o que estava ate atrapalhando um pouco o posicionamento, mas mesmo assim o surf foi excelente.
Ao final dos 9 primeiros dias tínhamos que ir a Manágua levar um dos quatro integrantes que regressaria ao Brasil no aeroporto e acreditando nas palavras do ex-editor da Fluir, Adrian Kojin em seu livro “Alma Guerreira” resolvemos conhecer a região de Puerto Sandino perto de Leon.
Mas essa historia eu vou deixar para um outro momento. Segue algumas fotos dessa primeira jornada...Clique aqui para ver a continuação das historia.
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