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Surf salvador em Galápagos...

Após quase uma semana pegando poucas ondas em San Cristobal já estávamos desesperados sem saber o que fazer.
Nos primeiros sete dias de viagem pegamos somente algumas horas de surf, que geralmente acontecia na maré cheia, depois tínhamos que ser criativos para passar o tempo. Alternávamos entre bicicleta, checar a previsão, kayak, corrida, checar a previsão, ler, checar a previsão...
Umas vinte vezes por dia nós olhávamos a previsão para ter certeza que o swell de noroeste previsto para os próximos dias ainda estava lá, a caminho. Na segunda-feira, o windguru e o magicseaweed (sites de previsão de ondas) começaram a mostrar um swell de 5/6 pés para quinta-feira cedo. Sendo assim, aproveitamos a terça-feira para conhecer o interior da ilha e na quarta-feira planejávamos conhecer a ilha de Santa Cruz, porém a terça foi tão cansativa que por algum motivo nós não levantamos para ir comprar o tal do ticket para a outra ilha na quarta cedo, sorte nossa!
Por volta das nove horas levantamos para tomar café e eu não acreditei quando sai do quarto. Nosso hotel ficava na parte alta da cidade e nos outros dias, não era possível ver o mar direito de lá. Nesse dia, nós vimos uma série quebrando perfeita, grande. Não acreditei! Peguei o binóculo e era verdade, havia onda! Engolimos o café da manhã correndo e em 20 minutos lá estávamos nós, correndo contra o relógio, colocando a roupa de borracha e estudando o melhor jeito de entrar em El Cânon. Lá não existe praia, somente um parcel de pedras. Você precisa descer nas pedras e ficar esperando uma calmaria. Por duas vezes, eu achei que era uma boa hora para entrar e acabei dando uma rolada nas pedras. Alguns minutos negociando com as ondas e leash, lá estava eu remando depressa para o fundo. Maré enchendo, séries constantes, terral, 5/6 pés na série e, prestem atenção, ninguém na água! Estava tudo muito perfeito, não é? Você quer um defeito? A água estava muito, muito gelada, mas depois de uma semana esperando por essas ondas, isso virou só um detalhe imperceptível. O Felipe, meu amigo, logo chegou ao outside para também aproveitar esse momento.
Uma vez no outside, você precisa ficar esperto com a corrente que fica o tempo todo te puxando para o sul, sentido de Loberia. Várias vezes, nos outros dias, vi algumas pessoas desatentas ficarem muito para a esquerda e serem pegos pela série. Outra coisa que pode ser usada também é uma laje que fica a uns 300 metros para dentro do mar, as séries de ondas sempre quebram lá primeiro e servem como uma indicação que as ondas estão vindo. 
O surf foi ótimo. Pegamos muitas ondas nesse dia, depois de umas duas horas chegaram mais duas pessoas, um amigo americano, professor da faculdade de Galápagos e um turista, surfista italiano. Tinha onda para todo mundo, e você ainda tinha a facilidade do canal para voltar para o fundo. Fiquei aproximadamente 5 horas dentro d’água aquele dia até ter coragem de sair.
O swell rolou até o sábado, dia que íamos embora e com certeza ele mais do que compensou a primeira semana de poucas ondas. Os próprios locais disseram que fomos sortudos por termos pego aquelas ondas sem ninguém na água. Aliás, eles gostam de surfar, mas parecem que não gostam de acordar cedo, chegavam para surfar sempre perto da hora do almoço.
Melhor para nós!
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