Depois de passar 15 dias de altas ondas nas Ilhas Galápagos, não poderia deixar de comentar o desempenho dos locais do arquipélago dentro da água.
A comunidade do surf por lá se resume a mais ou menos 50 surfistas e somente dez ou 15 são ativos. A maioria surfa de pranchinha, mas também há bodyboarders e uma única mulher surfista em toda a ilha.
Seu nome é Isabel, e ela inclusive já viveu no Brasil para aprender o idioma português. A surfista pretende regressar em breve para fazer faculdade em Santa Catarina.
Atualmente existe uma federação de surf em Galápagos, presidida por um ex-surfista chamado “Pollo”. É um sujeito mais velho que nunca foi visto pegando uma única onda, uma espécie de lenda urbana no vilarejo.
Verdade ou não, ele é o cara que assina sua carteirinha de surf (necessária para surfar dentro da base militar) e também quem organiza alguns campeonatos regionais que rolam nas ilhas.
Pollo também é dono do bar que leva o mesmo nome e emprega vários dos surfistas. O Pollo Bar fica perto da avenida principal na ilha de San Cristobal e tem vários dias que não abre (não sei por que), mas quando abre é uma opção para tomar uma cerveja gelada, jogar uma sinuca e conhecer um pouco mais sobre a galera da ilha.
A outra balada é o Igunas, mas eu acabei não conhecendo. Disseram que lá é divertido e fica lotado até altas horas!
Voltando ao surf, muitos deles reclamaram que falta material de qualidade nas ilhas, em parte devido ao pequeno interesse das grandes marcas na região. Os locais dizem ser somente por meio de surfistas viajantes que as pranchas chegam às ilhas e, mesmo assim, com valores superiores ao que eles podem pagar.
Na busca de resolver este problema, meu amigo Franklin teve uma ideia que me pareceu bastante sustentável. Passar seis meses no Brasil aprendendo a fazer pranchas e depois retornar às ilhas para repassar o conhecimento à galera local. Para isso ele finaliza uma parceria junto ao Ministério do Turismo do Equador, onde eles financiariam viagem e curso.
Esta ideia me pareceu uma boa alternativa para não ficar dependente do material vindo de outros países. Vamos torcer para dar certo!
Disposição não falta à galera local, muito deles surfavam sem roupa de borracha em dias que o long jonh parecia uma bermuda para mim. Mesmo sem o material adequado, lá estavam eles, felizes, curtindo junto com os amigos e botando para baixo nas ondas. Sempre dividindo esta vibração bacana com nós, os estrangeiros!