Chegando no paraiso

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Leonardo Spencer | 07/04/2011

Maio de 2010, estou no meio de um dia caótico no banco, mais de 100 e-mails para serem lidos, dólar sobe, bolsa cai, juro volátil. Um novo e-mail chega em minha caixa de entrada: título “Maldivas 2010”. Ele vinha de um grande amigo surfista e em anexo, fotos fresquinhas direto do paraíso, no corpo a seguinte mensagem: “Olha esse lugar! Acabei de receber essas fotos! Anima de ir? Por mim fechado! Abs Rodolfo”. Foi assim que surgiu a idéia de conhecer a Maldivas. Como de costume sai à procura do maior número de informações possíveis, devorei sites e blogs, mandei e-mail para conhecidos, procurei guias, falei com agências de viagens e, nessa hora, agradeci por falar inglês, porque existem poucos sites em português que oferecem informações de qualidade sobre o país!

Não precisei pesquisar muito para me convencer sobre as qualidades do lugar, a maior dúvida era o preço. O pacote todo daria para ir e voltar duas vezes para a Costa Rica e ainda sobraria um extra para gastar no free-shop. Depois de ter viajado intensivamente pela América Central e Galápagos nos últimos anos, eu não conseguia conter a idéia de ir para um paraíso tropical, rodeado de ilhas, ótimas ondas, água quente e sem a loucura das cidades. Eu precisava disso. Depois de dois meses eu decidi, pagaria o preço por tudo isso, e que preço!

Com o pagamento feito agora vem uma das partes que mais gosto, a preparação. Diferentes de muitos surfistas que conheço, gosto de deixar tudo certinho. Na verdade, depois de algumas viagens e alguns itens esquecidos, montei uma lista que vou adicionando coisas conforme vou viajando e aprendendo, por exemplo, na última viagem a Galápagos percebi a importância de ter um bom binóculo, na Nicarágua descobri que um bom canivete pode salvar seu jantar (calma pessoal, foi bom para descascar laranjas e abacaxi.) e assim vai, a lista não parou de crescer. Fora essas coisinhas tem as pranchas, acessórios, máquina fotográfica, lentes, remédios, tripé, filmadora, go-pro, batérias, carregadores, cabos, kit reparo de prancha, entre outras coisas, e é preciso pensar em tudo, por que não há nada disso na Maldivas, com alguma sorte, se for algo eletrônico, você poderá comprar no caminho em Doha ou Dubai, senão, esquece! O máximo que consegui por lá foram cds e dvds em branco na lojinha do hotel!

Final de Agosto, para a Maldivas não é necessário visto antecipado, o mesmo é concedido na chegada e não é cobrada nenhuma taxa como é feito em alguns países. O trajeto São Paulo – Male (Capital das Maldivas) é operado por duas grandes companhias aéreas, a Emiratés e Qatar Airways e com vôos diários, a primeira viaja passando por Dubai e a segunda por Doha. Optei pela segunda, em termos de distância são bem-parecidos, porém o preço era um pouco menor, e a qualidade do serviço parecido. Um ponto legal das duas companhias aéreas é a isenção de taxa de transportes das pranchas, elas são computadas como volumes normais e respeitam as mesmas regras aplicadas para as malas de roupas. O trecho inicial até Doha leva intermináveis 15 horas, tempo suficiente para fazer tudo que tem que ser feito e ainda ficar sem fazer nada um pouco. Cheguei a Doha a noite e os termômetros marcavam 36 graus, a umidade também estava altíssima e deixava o ar quase impossível de respirar, uma amiga relatou pegar 46 graus a noite uma vez, um inferno literalmente! O aeroporto de Doha é bem grande, com um belo free-shop, restaurantes, sala para dormir e wireless grátis, isso foi importante por que no retorno eu passaria a noite no aeroporto esperando a conexão. Duas horas mais tarde e mais cinco horas de vôo e da janela já podia avistar a imensidão azul do oceano Índico.

A primeira imagem das Ilhas já fez valer à pena às vinte horas de vôo. Dezenas de ilhas rodeadas por barreiras de corais alternando tons de azul e verde garantiam um visual de sonho para os passageiros do avião, esses que já gastavam o cartão da máquina tirando dezenas de fotos. Nesse momento algo inesperado aconteceu, conforme o avião descia e a riqueza de detalhes aumentava avistei uma grande bandeira do Brasil pintada em um muro ao se aproximar de Male, curioso, descobri mais tarde que a grande parte da população do país é torcedor caloroso da seleção Brasileira, fenômeno que já tinha visto na Indonésia, Tailândia e Fiji. Aliás eles estavam mais chateados do que eu pela atuação do Brasil esse ano na copa, repetiam com seu inglês limitado “Brazil bad this year” ou “Kaka is crazy, red card” e por último, motivo de orgulho “Lúcio is brave, very good”, só me restava rir com isso tudo…


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