Graças a um excelente presente que ganhei na véspera da viagem, um completo guia sobre as ilhas, o Lonely Planet Maldives, descobri que o país passa por um momento de grandes transformações. Após a independência do Reino Unido obtida em 1965 seguiu-se por um sultanato de três anos e que em 11 de novembro de 1968 foi abolido e substituído por uma república. Desde 1968 até 2008 o país teve um único governante e esse era eleito “estranhamente” pelo próprio parlamento e que em 2007 por espontânea vontade, resolveu aceitar um segundo candidato nas eleições de 2008, quando foi derrotado por Mohamed Nasheed.
O novo presidente está comprometido a tornar a Maldivas no primeiro país “100% livre de emissão de carbono” no mundo tirando a dependência da queima de combustíveis fósseis e aumentando a geração de energia através de fontes consideradas limpas, para isso o governo pretende utilizar o vento ou a variação das marés, essa uma engenharia pioneira que capta o movimento das ondas/maré e transforma em energia, os teste inicias ao redor do mundo são muito promissores. Esse objetivo do atual governo busca mais do que somente colaborar com um planeta melhor, a Maldivas é o país mais plano do mundo e seu território é composto por 99% de água, ou seja, com o aquecimento global e por consequência a subida dos oceanos, existe chances reais do país simplesmente desaparecer em baixo d´agua. O ponto mais alto do país todo não passa dos três metros de altura e os problemas começam a aparecer já com a variação da maré, com possas surgindo no meio do nada em algumas vilas, o problema é tão serio que o atual presidente já esta cogitando a aquisição de terras em outros países para poder mover a população no futuro.
Isso seria um problema sem precedentes em um país como Brasil, com quase 200 milhões de habitantes, no caso das Maldivas sua população é de somente 400 mil habitantes, menor que muitas cidades brasileiras e sua maioria está concentrada na capital do país, aliás Male é a capital com maior densidade populacional do mundo, já o país aparece atrás de Mônaco, Singapura, Vaticano e Malta com 1163 pessoas por Km quadrados. Vendo esses números imagino que o Tsunami que atingiu as ilhas em 2005, após destruir a Indonésia, poderia ter tido proporções muito maiores. Oficialmente registrou-se 13 mortes e 45 desabrigados após o maior desastre natural da humanidade recente.
Conversando com as pessoas a percepção é que o novo presidente está proporcionando uma qualidade de vida melhor para a população, através da privatização de inúmeros serviços, entre eles a telefônia, o número de habitantes com acesso a telefonia móvel e internet aumentou significativamente nos últimos dois anos, trazendo mais informações e cultura.para as pessoas. Inclusive voltei de lá com alguns amigos no facebook.
Já um lado negro e pouco conhecido da Maldivas é o serio problema com as drogas, estimasse que pelo menos 30% da população adulta já tenha pelo menos uma vez experimentado o “brown brown”, uma espécie de cocaína pouco refinada e de baixo valor. O que conversei com as pessoas é que esse é um problema social generalizado no país, porém pouco é feito para se combater tal situação, o país ainda parece anestesiado pelos anos de “um único governante” e as organizações civis ainda são pouco representativas no país, tendo pouco apelo democrático e deixando o controle demasiadamente na mão dos governantes, meio parecido com o que acontece aqui no Brasil, todo mundo reclama mas pouco é feito.