O avião pousou no aeroporto internacional de Male e eu começava a ficar ansioso para chegar logo ao Adaaran HudhuranFushi. Esse é o hotel que eu ficaria pelas próximas onze noites e que abriga a onda de Lohis, uma esquerda que quebra bem em frente ao deque construído pelo próprio hotel e que serve para os turistas apreciarem o surf, fotógrafos fazerem seu trabalho e namoradas, quando elas não surfam, esperarem seus respectivos. O visual é garantido! Em meia hora já estava bem acomodado em uma lancha de alta velocidade rumando ao, tão esperado, destino final. No ouvido se alternavam as boas músicas do Belle & Sebastian, Peter Bjorn & Jonh, Mason Jannings e o eletrônico do Hotchip.
Meia hora de viagem e aportei no hotel Adaaran, o mesmo contempla a ilha toda e se divide basicamente em duas partes, o lado com ondas e o lado que é protegido pela barreira de corais e que forma uma espécie de lagoa de água salgada. É nessa região que a maioria das famílias ficam com suas crianças e aproveitam as águas calmas e transparentes da Maldivas.
Na ilha a sensação era excelente, não havia carros por perto, pouco barulho, clima agradável e uma brisa constante que acariciava levemente as árvores e as ondas, essas que estavam pequenas por volta de 0.5m logo no dia que cheguei, porém perfeitas, entravam na bancada de Lohis e vinham quebrando lisinhas. De bônus o pôr-do-sol aconteceu bem no finzinho da onda, garantindo um visual de pintura ao cenário, com ondas lisas e uma luz amarelada e uma brisa terral. O primeiro dia já fez o dinheiro da viagem valer a pena, agora à ordem era relaxar, comer, ver as fotos do dia e dormir. Despertador já estava ligado para as 5:30 da manhã.
Acordo no horário previsto, o silêncio da ilha contrasta com as lembranças do barulho de São Paulo, me sinto feliz por estar aqui, mesmo sem estar fazendo nada. Ando sem pressa até Lohis para checar como estão as ondas. Pequeno, terral, maré baixa e duas pessoas na água. Tiro umas fotos do sol nascendo e em dez minutos já estou na água, que delícia de água, quente e transparente, encontro dois amigos australianos que conheci na noite anterior e relembro os tempos que morei na Gold Coast, conversa vai, conversa vem e de repente somos surpreendidos por uma barbatana, que logo viram dezenas delas. Golfinhos nadam para o sul proporcionando uma linda cena logo ao amanhecer. Essa não tem foto, ficou somente na nossa memória.
O tempo na Maldivas é surreal, sua localização perto da linha do Equador garante ao país um clima tropical o ano todo, sendo duas estações bem definidas, mais seco entre Maio e Outubro e com chuvas entre Novembro e Abril, mas mesmo assim essas chuvas são bem pontuais e não estragam a viagem. Nos onze dias que fiquei por lá foram somente dois dias de chuva que não duraram mais que meia hora cada uma, ou seja, nada a reclamar. Já o surf rola o ano todo, sendo a temporada seca quando rola as maiores ondulações, entre Junho e Setembro, e na estação de chuvas, rolam altas ondas também, mas não com a mesma frequência. Já o fundo de coral que muitas vezes assusta quem está acostumado a surfar em fundo de areia não é um problema, diferente da Indonésia ou Tahiti onde você encosta e se corta instantaneamente, o coral da Maldivas parece ser coberto por um carpete de lodo, o que garante ao surfista uma chance maior de não se machucar feio, sem falar que seu recorte é plano e na maioria dos picos, fundo. Surfei de botinha em vários dias, mas não tive nenhum problema mais sério.