Surf, Surf e Surf...

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Leonardo Spencer | 08/04/2011

Após o surf matinal, tomei café da manhã e fui pegar o barco para surfar outras ondas fora da ilha do hotel. Esses barcos são operados pela World Safaris e no meu caso já estavam inclusos no pacote. Acertei pela própria agência de viagens duas saídas diárias de barco, e o fato de ter comprado antecipadamente me garantia sempre um lugar no barco, não importando quantas pessoas tivesse. Do ponto de vista financeiro, em minha opinião, vale a pena, cada saída avulsa custa 35 dólares, já no meu caso custou por volta de 15 dólares, o único contra é o caso do mar ficar flat durante muitos dias e as saídas não valerem a pena. São dois barcos que geralmente vão para lugares diferentes, rola uma pequena discussão sobre onde queremos ir e o Richard, que é o guia, da às dicas de onde ele acha que está bom e por fim partimos. Para quem comprou o “surf pass” rola uma pulseira e é só ir para o barco, nem precisa passar no quiosque de esporte onde rola essa conversa, a não ser que você queira opinar sobre onde ir.

Saindo do hotel, logo após cruzar o canal, bem em frente do porto se encontra a onda chamada Ninjas, esse nome se deve a grande quantidade de japoneses que gostam de surfar aquela onda. Ninjas é uma direita que quebra em duas seções, a primeira um pouco mais rápida e a segunda bem cheia, porém é considerada uma onda para long board, por ser muito cheia nos dias de swell pequeno e médio. Nos dias que tem um tamanho razoável, Lohis pode ficar muito crowd, sendo uma alternativa atravessar o canal e surfar praticamente sozinho em Ninjas. São ondas bem distintas a começar pelo lado que quebram e pela qualidade, mas as vezes surfar só você e seus amigos na água mais que compensam qualquer coisa, fica a dica!

Falando em Lohis essa é a onda do dia-a-dia da viagem, como o barco tem hora definida para a saída, às 9:30 e 15:30 e retorno às 12:00 e 18:00, o tempo restante você precisa surfar na onda do hotel, aliás esses é um dos problemas de ficar com uma base fixa e não no barco, a falta de mobilidade acaba deixando poucas opções para o surf. Um dia em Chickens encontrei um grupo de portugueses que estavam em um belo barco e eles comentaram que surfaram vários dias às seis da manhã literalmente sozinhos várias ondas que nos só chegávamos às 10 horas da manhã, junto com todos os outros surfistas da Maldivas, esse é um ponto negativo de ficar no hotel. O preço dos dois é praticamente o mesmo, ou seja, vale à pena considerar essa opção. Uma terceira opção que descobri na viagem foi um surfcamp na ilha de Cokes, o lugar leva esse nome por abrigar uma fábrica da Coca Cola e tem uma ótima direita que leva o mesmo nome. De todas as ondas que conheci na viagem essa é a mais rápida e tubular. Funciona na maré cheia e na maré vazia, porém na vazia é também o lugar mais fácil para se machucar que estive, com o bancada ficando bem rasa. Sobre o surfcamp não consegui pegar o nome nem o contato, mas para quem quiser é uma opção mais em conta, vale a pena procurar na internet mais informações. Cokes fica por volta de uns 25 minutos do hotel e em uma região muito bonita, na parte de trás da ilha tem um veleiro encalhado em meio a uma lagoa gigante verde-esmeralda e logo no final da bancada de Cokes tem uma lancha gigante também presa no reef, ouvi dizer que ela foi pega no swell gigante que rolou no início de Maio. Contaram que os tripulantes saíram para comer na ilha e não se atentaram no tamanho das ondas, que crescia a cada série, quando voltaram já era tarde, pegaram seus pertences e deixaram para trás uns 200 mil dólares tranquilamente. Life is sucks!

Na mesma região, logo após cruzar o canal de Cokes na direção norte, fica a onda chamada Chickens. Dizem que o nome é devido a uma fazenda que era lotada de frangos, verdade ou lenda, isso vira um detalhe insignificante perto da qualidade das ondas que quebram ali. A onda começa com uma seção tubular bem no outside, depois empareda e rola interminavelmente até conectar com o inside, esse mais rápido e mais cavado, porém não muito tubular. O chato é a remada de volta para o outside e as séries que às vezes entram mais para o canal e te pegam na volta para o pico. Foi aqui que peguei as ondas mais longas da viagem. Surfei somente essa onda nos últimos três dias de viagem, e foram finais de tardes perfeitos, sem vento, muito liso. Enquanto todos preferiram ficar no hotel surfando Lohis, que geralmente quebra sempre maior que nos outros lugares, optei por Chickens e valeu a pena! Se eu tivesse ido a Chickens antes certamente teria surfado mais vezes essa onda, porém no início da trip fiz várias saídas de barco em direção a Male, para o Sul das Ilhas, direção oposta de Cokes e Chickens, quando o ideal era ter ido para o Norte já nos primeiros dias para conhecer bem a região e poder escolher melhor no resto da viagem.

A vinte minutos ao sul do hotel fica Pasta Point, a onda mais famosa das Maldivas, alguns minutos mais ao sul encontram-se Sultans, Jails, Honkys, entre outras. Em Pasta Point somente podem surfar aqueles que estão hospedados no hotel da ilha, já as outras ondas são liberadas para todos. Já na minha primeira saída, surfei em Jails, uma onda que quebra em frente a uma prisão e durante o surf pude ouvir vários disparos, o capitão do barco brincava dizendo ser o exército – “Crazy army” ele dizia. Como manda a tradição peguei o pior mar dos últimos meses segundo nosso guia. É sempre assim, sempre estava melhor ontem, mas sempre pode ficar melhor amanhã!


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